Polêmicas do Facebook: será o início do fim dessa rede social?

Polêmicas do Facebook: será o início do fim dessa rede social?

Acredito que você, assim como todo mundo, já sabe das polêmicas do Facebook. No meio do mês passado, a rede social de Mark Zuckerberg anunciou que suspendeu contas relacionadas a firma de análise de dados Cambridge Analytica, que teria usado dados de usuários do Facebook sem autorização em campanhas de publicidade para manipular a opinião pública na última eleição presidencial dos Estados Unidos e no referendo que levou o Reino Unido a deixar a União Europeia.

Os dados foram coletados por um quiz chamado ThisisYourDigitalLife, que solicitava acesso a informações do perfil do usuário, incluindo lista de amigos, e fazia uma série de perguntas ligadas a personalidade. O ocorrido foi denunciado por grandes jornais internacionais, como The Guardian, The New York Times e El País.

O responsável por essa ação, Christopher Wylie, se defendeu dizendo não ter feito nada ilegal, tendo apenas se aproveitado de uma brecha do próprio Facebook que autoriza sites e aplicativos a utilizarem não só informações de um usuário que fez um quiz, por exemplo, como também de toda a sua lista de amigos, incluindo histórico de uso, interesses e mais. Com isso foi possível obter dados de 50 milhões de usuários mesmo que apenas 270 mil pessoas tenham realizado do teste informal.

E o escândalo não parou por aí! Na mesma semana, o marqueteiro político André Torreta, que possui uma empresa que servia como sócia da Cambrydge Analytica no Brasil, anunciou o fim da parceria entre os dois negócios e revelou que esse método de manipulação da opinião pública seria utilizado durante as eleições presidenciais brasileiras de 2018. Torreta, porém, não informou qual candidato seria beneficiado por esse serviço e não descartou que volte a firmar uma parceria com a Cambrydge Analytica no futuro. Mais uma entre as polêmicas do Facebook que gerou ainda mais burburinho sobre o caso é que a rede social atualizou o número de usuários que tiveram seu dados vazados para 87 milhões, um crescimento de, aproximadamente, 74%. Os Estados Unidos foi o país mais afetado, seguido pelas Filipinas, Indonésia, Reino Unido e México. O Brasil aparece em oitavo lugar na lista, com mais de 443 mil usuários.

A atenção sobre o caso voltou-se para o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, que demorou alguns dias para se pronunciar sobre o escândalo. Além de todo o burburinho sobre uma das principais polêmicas do Facebook e sobre o silêncio do fundador do Facebook, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) decidiu investigar a rede social, com o objetivo de avaliar se a empresa quebrou um decreto de consentimento sobre como trataria as informações pessoais dos seus usuários. Se comprovada negligência pelo Facebook, a rede social será multada em milhares de dólares por cada dia “milhares de dólares por cada dia de violação”. O documento foi assinado em 2011.  Um ex-diretor da comissão calculou que a punição poderia ultrapassar US$ 7,3 trilhões.

Um dia após a investigação pela FTC ser anunciada, Mark Zuckerberg veio a público através de uma publicação no Facebook. Ele afirmou que estava “trabalhando para entender exatamente o que aconteceu e como garantir que isso não aconteça novamente”.  No pronunciamento, Zuckerberg comunicou algumas medidas que já havia decidido tomar, como contratar uma auditoria externa forense e restringir ainda mais o acesso a informações sigilosas por parte de desenvolvedores e investigar aqueles que coletaram dados antes de uma mudança nas políticas de privacidade, realizada em 2014. Ele também afirmou que já havia solicitado que a Cambridge Analytica apagasse dados coletados em 2015, mas que a agência havia mentido sobre o cumprimento da ordem. Além da nota de Mark Zuckerberg, o Facebook veiculou um pedido de desculpas em grandes jornais dos Estados Unidos e da Europa no dia 25 de março. A essa altura, as ações da rede social já haviam caído 10%.

 

Investigações sobre as polêmicas do Facebook

Na mesma semana dos pedidos de desculpa de Mark Zuckerberg e de todo o Facebook, o CEO da empresa foi chamado para dar esclarecimentos no Parlamento Inglês, no qual ele não compareceu, mas sim enviou um representante, e no Congresso Americano. Enquanto a data dos depoimentos não chegava, mais polêmicas do Facebook ocorriam. O escândalo de privacidade envolvendo a rede social levou a uma crise interna na empresa, gerando pedidos de transferência para outros grupos, como Instagram e WhatsApp, e de demissão de funcionários de baixo, médio e até grande escalão, como Westin Lohne, um dos principais nomes por trás do design de produtos da marca. Outra consequência das polêmicas do Facebook que ganharam a mídia foi a perda de alguns anunciantes, que interromperam sua publicidade na rede social. Para completar, grupos de investidores passaram a pressionar Zuckerberg para que peça demissão. O CEO de um do grupos, a Open MIC, fez, inclusive, um posicionamento público sobre o assunto.

Mas, em contrapartida de tudo o que se esperava, os depoimentos de Zuckerberg ensaiam que a rede social pode já estar contornando o escândalo. Em seu primeiro depoimento no Congresso Americano, o CEO do Facebook assumiu as falhas, pediu desculpas à população dos Estados Unidos e comentou sobre as atitudes que já haviam sido tomadas para proteger a privacidade dos usuários. No segundo depoimento, ele afirmou que a rede social irá ser adequada à General Data Privacy Regulation (GDPR), nova legislação europeia sobre proteção de dados que começará a valer em maio deste ano.

 

Será o início do fim dessa rede social?

No meio de todas essas polêmicas do Facebook, muitos usuários começaram a se questionar se não é hora de sair da rede social. Porém, uma pesquisa mostrou que apenas 9% dos usuários da rede social nos Estados Unidos deletaram suas contas após o escândalo de vazamentos de dados. Além do mais, após o segundo depoimento de Zuckerberg nos Estados Unidos, as ações da empresa valorizaram US$ 24 bilhões em um dia. É um resultado bem menor do que os aproximadamente US$ 80 bilhões de prejuízo que a empresa já levou com o ocorrido. Porém, é uma prova de que a ida do CEO da rede social ao Congresso Americano trouxe resultados.

O Facebook continua sendo a rede social com maior número de usuários no Brasil e no mundo, superando as marcas de 39 milhões e 2 bilhões, respectivamente. Porém, desde o ano passado, sua taxa de crescimento vem diminuindo tanto em número de usuários, quanto de marcas. Isso pode estar ligado ao crescimento do Instagram, que tem como expectativa atingir a marca de 1 bilhão de usuários esse ano. Por enquanto, o Facebook está longe do fim. Mas, Zuckerberg deve voltar suas atenções para o futuro, já que, na mesma pesquisa que mostrou que o número de contas deletadas após o escândalo foi pequeno, 21% dos entrevistados afirmaram querer usar menos a rede social em um futuro próximo.

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