Algoritmos do Youtube: Poderosos ou perigosos?

Apesar de poderosos, os algoritmos do Youtube tem ajudado a disseminar desinformação para muitos Saiba mais sobre o assunto no artigo de hoje!

Algoritmos do Youtube: Poderosos ou perigosos?

Se você acompanha nosso blog, provavelmente já sabe o quão poderosos os vídeos são. Entretanto, apesar de poderosos, os algoritmos do Youtube tem ajudado a disseminar a desinformação para muitas pessoas.

Continue a leitura e saiba mais sobre esse poderoso recurso!

Como os algoritmos do Youtube funcionam

Antes de aprofundarmos o assunto, é importante relembrarmos o que são algoritmos,  e te explicar como eles funcionam no Youtube.

Podemos entender os algoritmos como códigos que selecionam os conteúdos mais relevantes e o que será visível para o usuário. E na era da automação em que vivemos, o desenvolvimento de algoritmos é fundamental.

No caso do Youtube, esses códigos são responsáveis pela verificação de conteúdo, otimização da plataforma e implementação de melhorias. É por meio desse algoritmo que um vídeo é analisado, organizado e sugerido para usuários que buscam materiais semelhantes.

Códigos poderosos ou perigosos?

Apesar de ser uma ferramenta muito interessante para estratégias de marketing, ou até mesmo para usuários da plataforma de vídeo que desejam ver conteúdos similares ao que assistiram, os algoritmos do Youtube estão dando o que falar.

Em um simpósio sobre desinformação na Columbia Journalism Review, Zeynep Tufekci, professora associada da University of North Carolina’s School of Information and Library Science, descreveu como o algoritmo na plataforma funciona. Além disso, a professora afirmou que o algoritmo do Youtube pode ​​ser um dos mais poderosos instrumentos “radicalizadores” do século 21.

Podemos explicar a afirmação de Tufekci com o seguinte exemplo: suponhamos que uma pessoa assista a um vídeo sobre determinado assunto. De acordo com os críticos do YouTube, o algoritmo de recomendação o convence a continuar assistindo conteúdos na plataforma – e vendo mais anúncios – sugerindo um vídeo um pouco mais provocativo sobre o mesmo assunto. E então, cada vez mais, até que alguém interessado em uma alimentação mais saudável tenha se tornado um radical vegano. Ou então, uma pesquisa sobre imigração tenha decidido que todos os negros e pardos são más pessoas.

Algoritmos problemáticos

Nesse contexto, podemos dizer que os algoritmos do Youtube podem impactar negativamente seus usuários.

Segundo o ex-engenheiro da plataforma, Guillaume Chaslot, ao contrário do que muitos pensam, o Youtube não está sugerindo o mais relevante para cada um. Ainda segundo Chaslot, o algoritmo otimiza o tempo de exibição não por relevância, e sim com o objetivo de mantê-lo na fila de espera por mais tempo.

“Percebi muito rapidamente que a recomendação do YouTube estava colocando pessoas em bolhas de filtro. Não havia saída. Se uma pessoa estava crédula de que a Terra era plana, era ruim para a hora de assistir vídeos sobre o tema, recomendar vídeos anti-Terra plana, por isso nem mesmo os recomendaria. ”, explica.

Além disso, os algoritmos de busca também podem ser problemáticos. Na imagem abaixo, ao pesquisarmos pelo termo nazismo com o intuito de fazer uma pesquisa escolar ou acadêmica, por exemplo, o Youtube recomenda uma série de vídeos com conteúdos de ódio.

Algoritmos no youtube - resultados de busca. Fonte: The Drum.

Algoritmos no youtube – resultados de busca. Fonte: The Drum.

 

Se você acha que o problema para por aí, infelizmente, está muito enganado. Uma pesquisa realizada por um time de repórteres do BuzzFeed News descobriu que é preciso apenas 9 cliques nas recomendações do Youtube para que um clipe da TV americana que abordava o congresso dos EUA  fosse parar em um discurso anti-imigração, realizado por grupos de ódio.

Saiba o que diz a lei sobre os algoritmos do Youtube

Do ponto de vista legal, nos Estados Unidos, o Youtube não é responsável pelos vídeos divulgados na plataforma. A Lei de Decência de Comunicações de 1996, declara que “nenhum provedor ou usuário de um serviço de computador interativo deve ser tratado como editor ou orador de qualquer informação fornecida por outro provedor de conteúdo de informação”.

Porém, especialistas acham que a lei precisa mudar, uma vez que permite que as plataformas de mídia social façam o que quiserem para maximizar os lucros sem ter medo de consequências.

Confira a resposta do Youtube

Apesar de todos os problemas envolvendo a maior plataforma de vídeos do mundo, o Youtube resolveu se pronunciar sobre a situação.

No final de Abril, a Alphabet, empresa que controla o Google e o Youtube, relatou um declínio de 9% no crescimento da receita publicitária, em relação ao ano passado. Além disso, a companhia afirmou que o Youtube era, pelo menos, parte do motivo.

Nesse contexto, o Youtube recentemente afirmou que está usando seus algoritmos para remover conteúdos tóxicos da plataforma. Isso quer dizer que todos os vídeos que promovam ideias nazistas ou qualquer outro de ideologia que pregue que uma pessoa é superior a outra por causa de seu gênero, cor, idade, religião, orientação sexual ou qualquer outro motivo não será mais aceito na plataforma.

Além disso, a empresa diz trabalhar continuamente para melhorar o algoritmo da plataforma. Um esforço declarado foi reduzir o clickbait alterando o foco de “número de visualizações” para “tempo de exibição”. O YouTube também negou que sua primeira prioridade seja maximizar o número de vídeos assistidos e anúncios vistos, dizendo que responsabilidade e satisfação são os principais focos da empresa.

Esperamos que o funcionamento dos algoritmos do Youtube tenha ficado claro após a leitura. Além disso, vale ressaltar que, apesar dos vídeos serem muito divertidos, é preciso verificar a fonte e atentar-se à conteúdos que propagam qualquer tipo de preconceito!

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