Evento sobre LGPD, da CCI França Brasil, fala sobre os desafios das empresas

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Evento sobre LGPD, da CCI França Brasil, fala sobre os desafios das empresas

A LGPD e hiperconectividade dos últimos anos vem gerando um crescimento exponencial no volume de dados captados online. Colocando em números, o Google processa em média 40 mil pesquisas a cada segundo90% dos dados do mundo foram gerados nos últimos 3 anos.

Somado à essa realidade, no  Brasil, há 140 milhões de internautas, dos quais 13 milhões fizeram a sua primeira compra via e-commerce em 2020.  O resultado? Um crescimento de mais de 41% no faturamento que bateu o recorde de R$87 bilhões. E não para por aí, até 2025, um estudo da Gartner prevê que 80% das interações e vendas B2B acontecerão via canais digitais e, já em 2024, 50% do tráfego online será utilizado para conectar dispositivos eletrônicos.

Neste contexto, compreende-se a importância e o valor da captação e interpretação de grandes volumes de dados de forma a transformá-los em inteligência e estratégia para as empresas de todos os portes.  Não é uma surpresa que 81% de executivos do Brasil e 4 outros países da América Latina considerem a transformação digital o principal fator de mudança  no mercado.  Contudo, este cenário é um pouco diferente da realidade. Dos executivos da pesquisa, apenas 47% possuíam uma estratégia desenvolvida para a transformação digital. 

Vazamento de dados: De novo? 

A falta de preparo das empresas, associados ao volume de dados que surge a cada segundo, atrasam o crescimento do mercado e ainda contribuem para o vazamento de dados, muitas vezes sensíveis. Um risco que atinge empresas públicas e privadas.  Apenas esse ano, os dados de 243 milhões de brasileiros foram expostos por uma falha do Ministério da Saúde. Mais recentemente, 540 milhões de dados de usuários do Facebook foram vazados e, poucos dias depois, 1,3 milhão de usuários do Clubhouse, app de  áudio do momento.

Com o intuito de proteger o público de vazamentos como estes, foi criada a Lei Geral de Proteção de Dados, também conhecida como LGPD. A regulamentação estabelece critérios e limites para tratamento de dados pessoais, criando regras claras sobre como as organizações devem coletar, armazenar e compartilhar as informações dos usuários. Contudo, apesar de ter entrado em vigor em Agosto de 2020 – 2 anos após sua aprovação – muitas empresas ainda não adaptaram suas políticas de tratamento de dados para atender às suas exigências e podem sofrer sanções que custarão caro. 

Evento para falar de proteção de dados, seus impactos e desafios

A importância de se adaptar a essa nova realidade, exigida pela lei, foi o tema do evento online, promovido pela Câmara de Comércio França Brasil, no dia 15 de abril. O evento contou com a participação de Ana Paula Tavares, CEO da Aporama, Camila Lefèvre, sócia do escritório Vieira Rezende Advogados, Alexandrine Brami, Co-fundadora e DPO da Lingopass, e teve a mediação de Bernardo Vianna, sócio da Vieira Rezende Advogados

O evento sobre LGPD abordou de forma dinâmica e clara, os principais aspectos a serem considerados neste momento de transição como a importância do big data, a relevância comercial dos dados, a especialização de profissionais focados na segurança de dados, aspectos jurídicos e os impactos da Lei nº13.709 a curto e médio prazo. Além disso, os convidados foram apresentados a cases reais de empresas que passaram pelo processo de adaptação às novas regras tornando a experiência ainda mais enriquecedora. Ao final do evento, houve uma rodada de perguntas para todos os participantes. 

Dúvidas como “Quais são os riscos tendo em vista o descumprimento da lei?”, ” O que fazer se dados de clientes forem vazados?” ,”Como selecionar ou formar profissionais a trabalhar como DPO?”, “É obrigatória a indicação de um DPO para cada empresa?” foram apenas algumas das perguntas respondidas pelos especialistas. Entre as respostas, alguns pontos que se destacaram foram: 

– A importância de parcerias ou contratação de serviços de empresas que já estejam preparadas para seguir a regulamentação.

  – A implementação da cultura do accountability, a aquisição de dados pensando na prestação de contas e no registro, não só da autorização da captação e uso de dados pelo cliente, mas também do interesse legítimo para captação de tais dados. 

  – O mapeamento dos dados que são realmente necessários, seja por exigência governamental e por questões estratégicas do negócio, mitigando riscos com captação de dados desnecessários.

O que esperar 

Ainda há um grande caminho a ser percorrido no que tange a regulamentação, fiscalização e segurança dos dados pessoais, tanto de clientes como de colaboradores, para grande parte das empresas brasileiras. Contudo, o movimento de adequação já começou e as organizações  que encontram-se melhor preparadas para oferecer o suporte e segurança a seus clientes, têm grande chance de encontrarem alta demanda por destacarem-se no mercado. Por isso, é essencial que empresas de pequeno, médio e grande porte, atentem para esta necessidades o quanto antes.

Mesmo com algumas incertezas relacionadas à LGPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão regulamentador que fiscaliza aplica as punições referentes à quebra da lei ,  já está em operação e as multas variam de 2% do faturamento a R$ 52 milhões – tornando a adequação, não apenas uma questão financeira e jurídica mas, uma questão de sobrevivência para muitos empresários.

Além disso, é preciso estar atento às demais leis que regulamentam o tratamento de dados pessoais, além da LGPD, em alguns casos específicos como é o caso da área da saúde e educação.  

A LGPD rende muitos papos, artigos e eventos. O tema está em alta e precisa mesmo ser debatido até fazer parte da rotina das empresa. Mas e você e sua empresa, já se enquadraram na lei ? Ainda tem alguma dúvida? Siga nosso Instagram, Facebook e Linkedin que estamos sempre trazendo informações sobre o assunto. Entre em contato.